Em 2016 a Semana Internacional do Acesso Aberto (Open Access Week) irá decorrer de 24 a 30 de outubro, enquadrando-se numa iniciativa internacional que tem como objetivo disseminar o Acesso Aberto ao conhecimento, promovida pela SPARC (Scholarly Publishing and Academic Resources Coalition).
A nível internacional, os eventos que irão decorrer serão divulgados em www.openaccessweek.org.
Contamos com as iniciativas de todos e com cada uma em particular.
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21 de outubro de 2016
Open Access Week, 24-30 Outubro
Vai-se realizar uma semana dedicada ao acesso livre de 24 a 30 de Outubro. Mais informações sobre as actividades em Portugal nesta semana podem ser encontradas no site acessolivre.pt:
26 de setembro de 2016
Workshop Lisboa Aberta, Lisboa, 19 Outubro
Dizem que a câmara municipal de lisboa vai organizar um workshop à volta do Lisboa Aberta em Outubro.
A Câmara Municipal de Lisboa encontra-se a desenvolver um portal de dados abertos designado Lisboa Aberta, que tem como objetivo a disponibilização de informação sobre a cidade de Lisboa em formatos abertos.
No sentido de recolher informação que nos ajude a responder cada vez melhor às necessidades daqueles que procuram informação sobre a cidade, vamos realizar um workshop no dia 19 de outubro. Será um espaço informal de discussão e elaboração de propostas sobre o portal e outras que potenciem a reutilização e a investigação sobre os dados, bem como a identificação de parcerias para o efeito.
Este encontro irá realizar-se no dia 19 de outubro, quarta-feira, das 9:30h às 18:00h, em local e com agenda a enviar brevemente.
23 de setembro de 2016
Dados.Gov disponibiliza dataset de recintos de espetáculos
Novidades no dados.gov:
O catálogo de dados do Dados.Gov acaba de disponibilizar um dataset que agrega informação dos recintos de espetáculos de natureza artística ativos em Portugal Continental.Fornecidos pela Inspeção-geral das Atividades Culturais (IGAC), este conjunto de dados tem representados os recintos fixos de espetáculos de natureza artística ativos, em Portugal Continental, cujas condições técnicas e de segurança para o seu funcionamento são verificadas pela IGAC.No total, são mais de 1080 recintos de espetáculos agregados neste dataset. Para cada recinto foi incluída informação de localização territorial (distrito, concelho, morada, etc) e dados de caraterização que vão desde o tipo de recinto, a lotação total e o tipo de atividades artísticas a que se destina (cinema, teatro, música, dança, circo, etc).O dataset «Recintos de Espetáculos de Natureza Artística» está disponível no catálogo de dados do Dados.Gov.
20 de abril de 2016
Dados abertos da Biblioteca Nacional de Portugal
Notica no dados.gov:
O catálogo de dados do Dados.Gov.Pt acaba de receber um novo dataset que referencia o portfólio de dados abertos disponibilizados pela Biblioteca Nacional de Portugal (BNP).
O novo dataset da BNP agora disponível no nosso catálogo de dados fornece as ligações para os conjuntos de dados que a entidade disponibiliza de forma livre e gratuita, incluindo o catálogo bibliográfico da BNP, da Base Nacional de Dados Bibliográficos (PORBASE), a Bibliografia Nacional Portuguesa (desde 1931) e Biblioteca Nacional Digital, entre outros.
Estes dados são disponibilizados em diferentes esquemas (UNIMARC, Dublin Core, Mods) e formatos de codificação (ISO2789, MarcXchange, RDF, RDF Turtle, RIS), podendo ser acedidos através de serviços de pesquisa e recuperação de registos ou por serviços OAI-PMH para obtenção de conjuntos de dados.
Os dados abertos da BNP são disponibilizados sob uma licença CC0 (Creative Commons CC0 1.0 Universal Public Domain Dedication), permitindo a utilização sem quaisquer restrições e sem a exigência de registo prévio ou autenticação.
Estes dados também estão acessíveis através da plataforma Open Data BNPortugal.
28 de novembro de 2015
Estudo do CCG analisa dados abertos do Quadrilátero Urbano
Descobri hoje que o Centro de Computação Gráfica da Universidade do Minho conduziu recentemente um estudo sobre open data em quatro cidades no norte de Portugal e submeteu os resultados ao Portugal Open Data census da Open Knowledge.
4 de outubro de 2015
Central de Dados
A Central de Dados é um repositório aberto de datasets Open Data em Portugal. Os dados aqui publicados são provenientes de diversas fontes e estão sob a curadoria do Transparência Hackday. O nosso objetivo é catalogar, afinar, complementar e publicar conjuntos de informação pública, para que possam ser reutilizados em visualizações, webapps, consultas e outros fins.http://centraldedados.pt/
A Central de Dados é uma ferramenta aberta e pública, e todo o código para ela criado está disponível segundo uma licença de software livre
29 de setembro de 2015
Coding for Social Impact
Não é directamente open data, mas é na mesma util socialmente, esta iniciativa do MIEIC da FEUP:
Coding for Social Impact
Coding for Social Impact is a project-based opportunity to build close collaborations between social innovators and students of the Software Development Laboratory course unit (MIEIC), with the concrete goals of envisioning, designing, and building simple software systems capable to leverage ideas with high social impact potential. The projects will be developed within a timeframe of 12 weeks, followed by a public event – a grand finale.
12 de junho de 2015
O Ponto do Parlamento
Ao ler o subreddit do opendata_pt encontrei um link para este projecto de visualização das faltas ao parlamento dos deputados. Está disponivél online em http://opontodoparlamento.org/.
21 de novembro de 2014
Entrevista a Miguel Laginha do One.Stop.Transport
Coloquei umas perguntas ao Miguel Laginha, empregado do IPN em Coimbra e parte da equipa responsável pelo projecto One.Stop.Transport e que também fez parte organização do RAW Open Data. Seguem as respostas em baixo.
De onde surgiu a ideia para o One.Stop.Transport? Quem são as pessoas que estão a levar o projecto avante? Quais os apoios que tiveram até ao momento?
A plataforma One.Stop.Transport é um dos resultado do TICE.Mobilidade, um projecto mobilizador que envolveu 26 parceiros a nível nacional, cujo objectivo é mudar o paradigma da mobilidade em Portugal através da criação de um ecossistema de aplicações e serviços com base em dados abertos. Um dos sub-projectos tem um carácter horizontal e consiste numa plataforma de dados abertos que disponibiliza informação de mobilidade aos outros, de carácter vertical. Esta plataforma - One.Stop.Transport - agrega dados abertos (open data) de vários *players* da mobilidade em Portugal e disponibiliza um ambiente de desenvolvimento a empresas que pretendam usar os dados para construir soluções inovadoras orientadas ao cidadão.
O projecto TICE.Mobilidade foi financiado pela AdI e pelo Compete num valor perto dos 5,5M€ ao longo de três anos e meio de projecto. Foi coordenado e liderado (informalmente) pelo Instituto Pedro Nunes, em Coimbra e contou com a participação de instituições do Sistema Científico e Tecnológico Nacional (SCTN) como de empresas.
Quantas apps tem registadas no sistema neste momento? Encontram-se todas funcionais?
Muitas das aplicações que estão registadas ou alojadas no nosso marketplace são resultado de concursos de aplicações ou de desenvolvimentos internos e, como tal, não apresentam um elevado grau de profissionalismo e/ou funcionalidade.
No entanto, já existem algumas aplicações profissionais e comerciais que exploram os dados abertos disponibilizados pela plataforma OST, de que é exemplo a Moovit e a OpenTripPlanner for Android, que têm milhões de utilizadores em todo o mundo. Estamos ainda em contacto com outras apps e serviços como o Rome2Rio, Transit App, AllRyder, CityMapper, entre outras, no sentido de vir integrar brevemente via OST e, assim, explorar o mercado nacional.
Tanto quanto sei o projecto nasceu em Coimbra, houve apoios da câmara municipal? Há contactos com outras entidades de outras cidades? Quais as cidades de portugal abrangidas pela plataforma ao certo?
O projecto nasceu em Coimbra e começou por abranger os Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) - que pertencem à Câmara Municipal - mas rapidamente expandiu para outras cidades. Actualmente a plataforma OST tem dados de Coimbra (SMTUC), Aveiro (MoveAveiro), Lisboa (apenas Carris) e Porto (apenas STCP), e conta ainda com a colaboração da Transdev e CP num âmbito inter-urbano.
Quais os vossos fornecedores de dados? Foi dificil conseguir estabelecer contacto com eles? Disponibilizam os dados publicamente para além da ligação com a vossa plataforma?
Naturalmente, há operadores mais sensíveis à temática dos dados abertos que outros, o que se reflecte na receptividade para colaborar com esta initiativa. Foi sempre nosso objectivo sensibilizar os diferentes *players* para a importância de disponibilizar os dados e para o impacto que isso tem nos cidadãos, nas empresas e nos próprios operadores de transportes. Este é um caminho que temos vindo a percorrer e pretendemos continuar no futuro.
Alguns operadores já disponibilizavam os seus dados estáticos de forma livre e gratuita a terceiros antes de colaborarem com a plataforma OST. No entanto, a maioria usa a OST como único meio para publicar os seus dados de apoio ao passageiro, de forma estandardizada e estruturada segundo as melhores práticas internacionais associadas ao *open data*.
Qual o lag temporal dos dados em tempo real dos fornecedores?
Actualmente, a plataforma OST não disponibiliza dados em tempo real de qualquer fornecedor em Portugal. Isto prende-se com uma variedade de problemas e obstáculos verificados "no terreno", embora a plataforma suporte essa funcionalidade, tendo sido testada com dados abertos de outros países como o Reino Unido e os Estados Unidos.
Qual é a vossa principal dificuldade em obter mais fornecedores?
Há várias dificuldades no caminho que temos vindo a percorrer. Alguns fornecedores são muito protectores da sua informação, temendo a sua utilização "sem controlo" por terceiros. Outros operadores fazem uma utilização comercial e mutuamente exclusiva dos seus dados, o que inibe a disponibilização gratuita dos mesmos a potenciais concorrentes. Entre receios, proteccionismos e alguma falta de meios, é nossa convicção que o caminho será percorrido por todos, mais tarde ou mais cedo, como mostram os variadíssimos exemplos a nível internacional. O mais conhecido é talvez o caso de Londres, em que a TfL (Transport for London) começou por agir judicialmente contra os developers que faziam uso não autorizado de dados, sendo actualmente a promotora de concursos de aplicações anuais com os seus dados, dos quais surgem dezenas de novas aplicações de mobilidade.
Porque motivo é preciso registar-nos no site para usar as apps? Não seria mais userfriendly poder-se usar e pronto?
Essa obrigatoriedade já não existe, precisamente por ter sido uma das sugestões mais comuns enviadas por utilizadores da OST e que concordámos em resolver.
Quais os próximos passos para a evolução da plataforma? Estão à procura de ajuda? Em que aspectos podem as pessoas contribuir para a plataforma?
A estratégia futura passa por consolidar a plataforma e dar-lhe um âmbito mais alargado que o nacional, no sentido de criar valor e atingir um nível de sustentabilidade e viabilidade comercial. Há vários meios para atingir este fim, e estamos a considerar as várias possibilidades existentes.
A equipa da OST está aberta a sugestões de melhoria proveniente de utilizadores e, no geral, todo o *feedback* é bem vindo. Também vemos como muito útil todas as acções de disseminação espontâneas e orgânicas no sentido de dar a conhecer o projecto a mais cidadãos, empresas e operadores. Por exemplo, em Coimbra a maioria dos utilizadores de transportes colectivos ainda desconhece a existência de aplicações mobile de apoio ao passageiro disponíveis integradas com os SMTUC, e que poderia usar para se movimentar de forma mais eficaz e eficiente. No fundo, se as aplicações não chegarem às mãos dos cidadãos a plataforma OST não consegue ter um real impacto na vida das cidades.
Também estiveste envolvido com a organização do evento RAW Open Data, organizado pelo IPN e que decorreu 16 e 17 Outubro em Coimbra. Podes explicar melhor qual foi o seu objectivo e como correu?
O RAW Open Data teve como principal objectivo a discussão e a partilha de conhecimento e experiências dentro da comunidade open data. Com os temas abordados pelos diferentes oradores tentámos sensibilizar o público para esta temática e mostrar o potencial dos dados abertos para a sustentabilidade socio-económica da Europa.
O evento contou com participantes e oradores internacionais e de diferentes áreas de actividade, o que proporcionou a divulgação de projectos e iniciativas, a troca de ideias e um networking muito enriquecedor a todos os presentes.
Paralelamente ao evento, foi organizada uma hackathon em que os participantes tiveram à disposição dados da plataforma OST, da Universidade de Coimbra e do SAPO para a criação de aplicações móveis.
De onde surgiu a ideia para o One.Stop.Transport? Quem são as pessoas que estão a levar o projecto avante? Quais os apoios que tiveram até ao momento?
A plataforma One.Stop.Transport é um dos resultado do TICE.Mobilidade, um projecto mobilizador que envolveu 26 parceiros a nível nacional, cujo objectivo é mudar o paradigma da mobilidade em Portugal através da criação de um ecossistema de aplicações e serviços com base em dados abertos. Um dos sub-projectos tem um carácter horizontal e consiste numa plataforma de dados abertos que disponibiliza informação de mobilidade aos outros, de carácter vertical. Esta plataforma - One.Stop.Transport - agrega dados abertos (open data) de vários *players* da mobilidade em Portugal e disponibiliza um ambiente de desenvolvimento a empresas que pretendam usar os dados para construir soluções inovadoras orientadas ao cidadão.
O projecto TICE.Mobilidade foi financiado pela AdI e pelo Compete num valor perto dos 5,5M€ ao longo de três anos e meio de projecto. Foi coordenado e liderado (informalmente) pelo Instituto Pedro Nunes, em Coimbra e contou com a participação de instituições do Sistema Científico e Tecnológico Nacional (SCTN) como de empresas.
Quantas apps tem registadas no sistema neste momento? Encontram-se todas funcionais?
Muitas das aplicações que estão registadas ou alojadas no nosso marketplace são resultado de concursos de aplicações ou de desenvolvimentos internos e, como tal, não apresentam um elevado grau de profissionalismo e/ou funcionalidade.
No entanto, já existem algumas aplicações profissionais e comerciais que exploram os dados abertos disponibilizados pela plataforma OST, de que é exemplo a Moovit e a OpenTripPlanner for Android, que têm milhões de utilizadores em todo o mundo. Estamos ainda em contacto com outras apps e serviços como o Rome2Rio, Transit App, AllRyder, CityMapper, entre outras, no sentido de vir integrar brevemente via OST e, assim, explorar o mercado nacional.
Tanto quanto sei o projecto nasceu em Coimbra, houve apoios da câmara municipal? Há contactos com outras entidades de outras cidades? Quais as cidades de portugal abrangidas pela plataforma ao certo?
O projecto nasceu em Coimbra e começou por abranger os Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) - que pertencem à Câmara Municipal - mas rapidamente expandiu para outras cidades. Actualmente a plataforma OST tem dados de Coimbra (SMTUC), Aveiro (MoveAveiro), Lisboa (apenas Carris) e Porto (apenas STCP), e conta ainda com a colaboração da Transdev e CP num âmbito inter-urbano.
Quais os vossos fornecedores de dados? Foi dificil conseguir estabelecer contacto com eles? Disponibilizam os dados publicamente para além da ligação com a vossa plataforma?
Naturalmente, há operadores mais sensíveis à temática dos dados abertos que outros, o que se reflecte na receptividade para colaborar com esta initiativa. Foi sempre nosso objectivo sensibilizar os diferentes *players* para a importância de disponibilizar os dados e para o impacto que isso tem nos cidadãos, nas empresas e nos próprios operadores de transportes. Este é um caminho que temos vindo a percorrer e pretendemos continuar no futuro.
Alguns operadores já disponibilizavam os seus dados estáticos de forma livre e gratuita a terceiros antes de colaborarem com a plataforma OST. No entanto, a maioria usa a OST como único meio para publicar os seus dados de apoio ao passageiro, de forma estandardizada e estruturada segundo as melhores práticas internacionais associadas ao *open data*.
Qual o lag temporal dos dados em tempo real dos fornecedores?
Actualmente, a plataforma OST não disponibiliza dados em tempo real de qualquer fornecedor em Portugal. Isto prende-se com uma variedade de problemas e obstáculos verificados "no terreno", embora a plataforma suporte essa funcionalidade, tendo sido testada com dados abertos de outros países como o Reino Unido e os Estados Unidos.
Qual é a vossa principal dificuldade em obter mais fornecedores?
Há várias dificuldades no caminho que temos vindo a percorrer. Alguns fornecedores são muito protectores da sua informação, temendo a sua utilização "sem controlo" por terceiros. Outros operadores fazem uma utilização comercial e mutuamente exclusiva dos seus dados, o que inibe a disponibilização gratuita dos mesmos a potenciais concorrentes. Entre receios, proteccionismos e alguma falta de meios, é nossa convicção que o caminho será percorrido por todos, mais tarde ou mais cedo, como mostram os variadíssimos exemplos a nível internacional. O mais conhecido é talvez o caso de Londres, em que a TfL (Transport for London) começou por agir judicialmente contra os developers que faziam uso não autorizado de dados, sendo actualmente a promotora de concursos de aplicações anuais com os seus dados, dos quais surgem dezenas de novas aplicações de mobilidade.
Porque motivo é preciso registar-nos no site para usar as apps? Não seria mais userfriendly poder-se usar e pronto?
Essa obrigatoriedade já não existe, precisamente por ter sido uma das sugestões mais comuns enviadas por utilizadores da OST e que concordámos em resolver.
Quais os próximos passos para a evolução da plataforma? Estão à procura de ajuda? Em que aspectos podem as pessoas contribuir para a plataforma?
A estratégia futura passa por consolidar a plataforma e dar-lhe um âmbito mais alargado que o nacional, no sentido de criar valor e atingir um nível de sustentabilidade e viabilidade comercial. Há vários meios para atingir este fim, e estamos a considerar as várias possibilidades existentes.
A equipa da OST está aberta a sugestões de melhoria proveniente de utilizadores e, no geral, todo o *feedback* é bem vindo. Também vemos como muito útil todas as acções de disseminação espontâneas e orgânicas no sentido de dar a conhecer o projecto a mais cidadãos, empresas e operadores. Por exemplo, em Coimbra a maioria dos utilizadores de transportes colectivos ainda desconhece a existência de aplicações mobile de apoio ao passageiro disponíveis integradas com os SMTUC, e que poderia usar para se movimentar de forma mais eficaz e eficiente. No fundo, se as aplicações não chegarem às mãos dos cidadãos a plataforma OST não consegue ter um real impacto na vida das cidades.
Também estiveste envolvido com a organização do evento RAW Open Data, organizado pelo IPN e que decorreu 16 e 17 Outubro em Coimbra. Podes explicar melhor qual foi o seu objectivo e como correu?
O RAW Open Data teve como principal objectivo a discussão e a partilha de conhecimento e experiências dentro da comunidade open data. Com os temas abordados pelos diferentes oradores tentámos sensibilizar o público para esta temática e mostrar o potencial dos dados abertos para a sustentabilidade socio-económica da Europa.
O evento contou com participantes e oradores internacionais e de diferentes áreas de actividade, o que proporcionou a divulgação de projectos e iniciativas, a troca de ideias e um networking muito enriquecedor a todos os presentes.
Paralelamente ao evento, foi organizada uma hackathon em que os participantes tiveram à disposição dados da plataforma OST, da Universidade de Coimbra e do SAPO para a criação de aplicações móveis.
http://www.reddit.com/r/opendata_pt
Foi criada uma comunidade no reddit para troca de links informais sobre matérias que digam respeito ao open data em Portugal. Se utilizam o reddit e tem interesse na matéria é favor subscrever: http://www.reddit.com/r/opendata_pt/
7 de novembro de 2014
Poder Local, Índices de Transparência Municipal
O pessoal da Transparência e Integridade Associação Cívica (TIAC) organizou um estudo sobre o poder local dos municipios portugueses e anunciou agora os dados references a determinados indices de transparência. Mais informações no website do projecto: http://poderlocal.transparencia.pt/
7 de outubro de 2014
Entrevista a Helder Guerreiro do dre.tretas.org
Viva Helder, antes de mais obrigado por aceitares a algumas perguntas sobre o teu projecto dre.tretas.org
Citando o dre.tretas.org "Este site disponibiliza uma cópia tão fiel quanto possível do Diário da República Electrónico. (…) O motivo que nos levou a fazer este trabalho foi a extremamente baixa qualidade do site oficial. A qualidade é tão baixa que chega ao extremo de não nos permitir partilhar ligações para os documentos nele contidos."
Quais os motivos práticos que te levaram a desenvolver este projecto?
O principal motivo foi exactamente proporcionar às pessoas as funcionalidades básicas que, em nossa opinião, estão em falta no site oficial.
Outro motivo foi o desejo de facilitar o acesso à informação da forma mais simples possível. Sem usarmos barreiras artificiais.
Finalmente, o simples acto de produzir qualquer coisa que é usado pelo resto dos cidadãos dá-me algum prazer.
Se o dre.pt fosse qualquer coisa de parecido ao Boletín Oficial Espanhol, não teríamos certamente iniciado este projecto.
Exemplos práticos:
O que se construiu no dre.tretas.org foi um sistema de busca em texto livre, usando uma interface que as pessoas conhecem e utilizam há décadas, em todos os motores de busca.
Notar que não se perde por isso precisão nos resultados, se quisermos procurar por um determinado documento basta indicar o respectivo tipo e número. Temos normalmente muito bons resultados. Há outras opções de busca, ver a página de ajuda.
Há um exercício que podemos fazer, encontrar o documento que determina a criação do dre.pt...
No dre.tretas.org é simples, basta fazer a busca óbvia, procurar por "diário da republica electrónico", sem as aspas:
http://dre.tretas.org/?q=di%C3%A1rio+da+rep%C3%BAblica+electr%C3%B3nico
No dre.pt não sei como o fazer.
http://dre.tretas.org/dre/<número de ordem>/
Naturalmente, estes links são imutáveis. Funcionam como uma coordenada para o documento. No site oficial não é bem assim, ou damos o link para um PDF ou então vamos deparar-nos com várias dificuldades sendo que a pior dessas dificuldades é a expiração de links para o sumários do sistema DIGESTO.
http://dre.tretas.org/dre/92528/
http://dre.tretas.org/dre/92528/.json/
Para além disso disponibilizamos também um dump completo da base de dados para quem a quiser utilizar (na página "Acerca" - esta funcionalidade esteve sem funcionar algum tempo, agora já está de novo em linha).
Além disso apresentamos um "tooltip" com o sumário do documento de destino. Isto é uma utilização básica das páginas web, é assim há décadas.
O dre.pt não tem esta funcionalidade.
Há quanto tempo existe o dre.tretas.org? Quantas pessoas são responsáveis pelo seu desenvolvimento e manutenção?
O projecto foi colocado em linha em Agosto de 2012, ao mesmo tempo que ia sendo desenvolvido. Em fins de 2012 tinha o conjunto de funcionalidades que tem hoje, a menos de um ou outro pormenor.
Este projecto foi feito apenas por mim, em termos de programação e desenho do site. Contei sempre com a ajuda do José Lopes para troca de ideias ao longo de todo esse tempo e é responsável por 2 commits. O José Lopes criou, comigo, o tretas.org.
O site em si não exige grande manutenção, para além de fazer os backups. Eu diria que gasto uma hora por mês com este site (a maior parte da qual a olhar para as queries que os utilizadores vão fazendo!).
Tens alguma informação de estatisticas de utilização do dre.tretas.org que possas partilhar connosco?
Para 2014:
Penso que o mês de Outubro irá aumentar o número de visitas dado que, apesar do evidente cuidado em preservar os links por parte do pessoal do dre.pt, ainda falharam alguns, isto faz com que tenha tráfego acrescido via motores de busca.
Já agora, o cuidado a que me refiro não tinha acontecido da primeira vez que tentaram colocar o novo site no ar, em Dezembro de 2013. (Tenho uma colecção de recortes de jornal sobre o caso em: http://busca.tretas.org/perfil/helder/?order=2&invert=on&tags=721)
O site oficial dre.pt foi recentemente actualizado (18 de Setembro). Certamente que sendo um site de serviço público fizeram um levantamento de requisitos sobre os aspectos que poderiam melhorar para melhor servir o público. Estando tu mais por dentro do site e da sua fraca usabilidade, sentes que a nova versão é uma melhoria em relação à anterior?
O novo site está, sem dúvida, muito mais agradável em termos visuais.
Em termos de funcionalidades propriamente ditas parece não haver muitas mudanças:
Pontos que foram melhorados:
Isto permitiu-me extrair o texto de cada documento para indexação. Deixaram de disponibilizar os documentos neste formato. Agora temos apenas páginas do DR, em formato PDF, a duas colunas, frequentemente com mais de um documento por página.
Notar, mais uma vez, que esta funcionalidade continua a existir para o serviço pago.
Fugindo completamente à pergunta, permite-me fazer uma nota sobre os serviços pagos:
As vendas, em 2013, do DRE foram de 960000EUR (consultar o relatório de gestão). Tenho a sensação que um valor já de si tão pequeno, ao qual ainda devemos subtrair as receitas provenientes do próprio estado (muitas assinaturas deverão ser de órgãos públicos a avaliar pela lista disponível no BASE), não justifica que se prive o cidadão do acesso *fácil* à informação. Notar que o custo de manutenção do site tem de ser baixo e que a Casa da Moeda teve lucro líquido de 14 milhões de euros.
O DRE pago tem vários serviços muito interessantes, para além daqueles que já mencionei, tais como:
É claro que nós, no dre.tretas.org, não temos recursos para prestar este tipo de serviços.
O site dre.pt tem uma página de contactos para dar feedback. Já alguma vez os contactaste no passado sobre estas questões?
Não, nunca o fiz. Em retrospectiva, talvez tenha sido um erro.
Quais seriam as mais valias para a sociedade se o dre.pt por exemplo facilitasse mais a indexação e partilha dos dados?
A partir do momento em que o acesso à informação é livre as potencialidades de uso são infindáveis.
Desde a simples resolução de dúvidas por parte do cidadão comum, à busca de informação por motivos profissionais, todos seriam beneficiados pelo livre acesso, com qualidade, à nossa legislação. Poupava-se tempo, eliminavam-se equívocos.
Depois, em termos de data mining da legislação há imenso trabalho que pode ser feito. Quem sabe o que se poderá revelar com este tipo de análises? Desde simples estatísticas a grafos da legislação, passando pelo cruzamento de informação com outras bases de dados, as possibilidades, como já disse, são infinitas.
Conhecendo o sistema e base de dados usado pelo dre.pt e tendo trabalhado no dre.tretas.org consegues estimar o custo de desenvolvimento (em horas) da adaptação da plataforma para permitir estas mais valias mencionadas?
Não posso fazer essa avaliação porque o que fiz no dre.tretas.org não tem o mesmo nível de exigência de um site institucional. Suponho que para um site deste tipo se tenha gasto bastante tempo em planeamento, concepção de testes, construção de mockups, reuniões infindáveis para estabelecer requisitos, etc. Tudo isso são custos difíceis para mim de quantificar.
O que posso dizer é que, para desenvolvimento do dre.tretas.org, não gastei, no total e até agora, mais de dois meses, talvez umas 200 horas. É claro que, no meu caso, limitei-me a fazer uma lista de objectivos, escolhi ferramentas "off-the-shelf" e usei um framework com que tenho bastante experiência.
Quais são os teus planos para o dre.tretas.org?
Tendo em conta a mudança no dre.pt, a minha preocupação é ter o site a actualizar a legislação o mais rápido possível. Dado impedimentos de ordem profissional não sei quando isso vai ser, mas vou-me esforçar para ser bem cedo.
Outros pontos no to-do list são:
Quem quiser participar no dre.tretas.org só tem de fazer o fork no github e apresentar-me os patches. Convém discutir, em primeiro lugar, a ideia comigo, e, claro, não vou aceitar patches com milhares de linhas... Fora isso estou disponível para ajudar, com as advertências normais acerca de falta de tempo. Costumo responder aos mails com velocidade razoável.
Também aceito ajuda em termos de melhoria da interface, código a funcionar é o ideal, mas mockups em HTML também servem. Enfim, não sou exigente...
Para projectos em geral sem nenhuma ordem em particular:
Citando o dre.tretas.org "Este site disponibiliza uma cópia tão fiel quanto possível do Diário da República Electrónico. (…) O motivo que nos levou a fazer este trabalho foi a extremamente baixa qualidade do site oficial. A qualidade é tão baixa que chega ao extremo de não nos permitir partilhar ligações para os documentos nele contidos."
Quais os motivos práticos que te levaram a desenvolver este projecto?
O principal motivo foi exactamente proporcionar às pessoas as funcionalidades básicas que, em nossa opinião, estão em falta no site oficial.
Outro motivo foi o desejo de facilitar o acesso à informação da forma mais simples possível. Sem usarmos barreiras artificiais.
Finalmente, o simples acto de produzir qualquer coisa que é usado pelo resto dos cidadãos dá-me algum prazer.
Se o dre.pt fosse qualquer coisa de parecido ao Boletín Oficial Espanhol, não teríamos certamente iniciado este projecto.
Exemplos práticos:
- Procura em texto livre:
O que se construiu no dre.tretas.org foi um sistema de busca em texto livre, usando uma interface que as pessoas conhecem e utilizam há décadas, em todos os motores de busca.
Notar que não se perde por isso precisão nos resultados, se quisermos procurar por um determinado documento basta indicar o respectivo tipo e número. Temos normalmente muito bons resultados. Há outras opções de busca, ver a página de ajuda.
Há um exercício que podemos fazer, encontrar o documento que determina a criação do dre.pt...
No dre.tretas.org é simples, basta fazer a busca óbvia, procurar por "diário da republica electrónico", sem as aspas:
http://dre.tretas.org/?q=di%C3%A1rio+da+rep%C3%BAblica+electr%C3%B3nico
No dre.pt não sei como o fazer.
- Proporcionar ligações simples para os documentos
http://dre.tretas.org/dre/<número de ordem>/
Naturalmente, estes links são imutáveis. Funcionam como uma coordenada para o documento. No site oficial não é bem assim, ou damos o link para um PDF ou então vamos deparar-nos com várias dificuldades sendo que a pior dessas dificuldades é a expiração de links para o sumários do sistema DIGESTO.
- Disponibilizar os documentos noutros formatos para além do PDF
http://dre.tretas.org/dre/92528/
http://dre.tretas.org/dre/92528/.json/
Para além disso disponibilizamos também um dump completo da base de dados para quem a quiser utilizar (na página "Acerca" - esta funcionalidade esteve sem funcionar algum tempo, agora já está de novo em linha).
- Ligações entre documentos
Além disso apresentamos um "tooltip" com o sumário do documento de destino. Isto é uma utilização básica das páginas web, é assim há décadas.
O dre.pt não tem esta funcionalidade.
- Finalmente, tendo os documentos numa base de dados foi trivial acrescentar um sistema de bookmarks e anotações. Este sistema pode ser melhorado de várias formas.
Há quanto tempo existe o dre.tretas.org? Quantas pessoas são responsáveis pelo seu desenvolvimento e manutenção?
O projecto foi colocado em linha em Agosto de 2012, ao mesmo tempo que ia sendo desenvolvido. Em fins de 2012 tinha o conjunto de funcionalidades que tem hoje, a menos de um ou outro pormenor.
Este projecto foi feito apenas por mim, em termos de programação e desenho do site. Contei sempre com a ajuda do José Lopes para troca de ideias ao longo de todo esse tempo e é responsável por 2 commits. O José Lopes criou, comigo, o tretas.org.
O site em si não exige grande manutenção, para além de fazer os backups. Eu diria que gasto uma hora por mês com este site (a maior parte da qual a olhar para as queries que os utilizadores vão fazendo!).
Tens alguma informação de estatisticas de utilização do dre.tretas.org que possas partilhar connosco?
Para 2014:
| Daily Avg | Monthly Totals | |||
|---|---|---|---|---|
| Pages | Visits | Visits | Pages | |
| Oct 2014 | 5261 | 947 | 5682 | 31567 |
| Sep 2014 | 4737 | 841 | 25239 | 142113 |
| Aug 2014 | 5470 | 558 | 17300 | 169594 |
| Jul 2014 | 7824 | 651 | 20202 | 242573 |
| Jun 2014 | 5668 | 624 | 18738 | 170058 |
| May 2014 | 5221 | 684 | 21226 | 161867 |
| Apr 2014 | 3231 | 530 | 15902 | 96931 |
| Mar 2014 | 4057 | 757 | 23492 | 125791 |
| Feb 2014 | 6305 | 507 | 14201 | 176563 |
| Jan 2014 | 6195 | 489 | 15160 | 192071 |
Penso que o mês de Outubro irá aumentar o número de visitas dado que, apesar do evidente cuidado em preservar os links por parte do pessoal do dre.pt, ainda falharam alguns, isto faz com que tenha tráfego acrescido via motores de busca.
Já agora, o cuidado a que me refiro não tinha acontecido da primeira vez que tentaram colocar o novo site no ar, em Dezembro de 2013. (Tenho uma colecção de recortes de jornal sobre o caso em: http://busca.tretas.org/perfil/helder/?order=2&invert=on&tags=721)
O site oficial dre.pt foi recentemente actualizado (18 de Setembro). Certamente que sendo um site de serviço público fizeram um levantamento de requisitos sobre os aspectos que poderiam melhorar para melhor servir o público. Estando tu mais por dentro do site e da sua fraca usabilidade, sentes que a nova versão é uma melhoria em relação à anterior?
O novo site está, sem dúvida, muito mais agradável em termos visuais.
Em termos de funcionalidades propriamente ditas parece não haver muitas mudanças:
- O sistema de procura de documentos é igual, agora com uma interface mais moderna mas com a mesma funcionalidade;
- Tem um novo sistema de anotações;
- Tem um sistema para "guardar documentos": ainda não tive tempo de explorar o sistema de modo a ter uma opinião definitiva, ainda não descobri como se usa esta funcionalidade;
- O RSS que no site antigo estava muito escondido, é agora evidente, pena apontar para PDFs...
Pontos que foram melhorados:
- Aspecto visual;
- A navegação no site está melhor;
- Velocidade do site (está excelente!);
- RSS mais acessível;
- Sistema de busca idêntico - este é um dos pontos críticos, não encontro motivos para isto ser assim. Notar que o dre.pt tem uma funcionalidade de busca por texto livre, apenas para os assinantes do serviço (serviço pago).
- Não detecto melhorias significativas nas anotações, posso estar a ser injusto.
- É disponibilizada *menos* informação. O texto integral dos documentos era disponibilizado no sistema DIGESTO, exemplo que ainda funciona:
Isto permitiu-me extrair o texto de cada documento para indexação. Deixaram de disponibilizar os documentos neste formato. Agora temos apenas páginas do DR, em formato PDF, a duas colunas, frequentemente com mais de um documento por página.
Notar, mais uma vez, que esta funcionalidade continua a existir para o serviço pago.
Fugindo completamente à pergunta, permite-me fazer uma nota sobre os serviços pagos:
As vendas, em 2013, do DRE foram de 960000EUR (consultar o relatório de gestão). Tenho a sensação que um valor já de si tão pequeno, ao qual ainda devemos subtrair as receitas provenientes do próprio estado (muitas assinaturas deverão ser de órgãos públicos a avaliar pela lista disponível no BASE), não justifica que se prive o cidadão do acesso *fácil* à informação. Notar que o custo de manutenção do site tem de ser baixo e que a Casa da Moeda teve lucro líquido de 14 milhões de euros.
O DRE pago tem vários serviços muito interessantes, para além daqueles que já mencionei, tais como:
- Legislação Consolidada, ie, redacção dos documentos que incorporam todas as modificações acrescentadas em documentos mais recentes. Muitas vezes os documentos são apenas listas de modificações (coisas como: alterar alínea a, número 7 do artigo 20º da Lei ABC para o seguinte, tirar ou acrescentar uma virgula, etc), chegam a ser páginas e páginas deste tipo de legislação. Se se nega o acesso ao cidadão a esta redacção consolidada, está-se efectivamente a negar o acesso à legislação, porque a maior parte das pessoas não tem tempo, não tem disposição e não tem formação para fazer tal coisa.
- Tradutor Jurídico: é um glossário jurídico
- Resumo em linguagem clara: no site antigo, apenas para assinantes, encontrei alguns exemplos, não sei se existe no site novo. Tratam-se de documentos sem valor legal onde se explicava em temos simples, como funcionava uma dada legislação. Tenho um exemplo no link seguinte:
- Tradução de legislação: encontrei traduções de alguma legislação, no site antigo, pouca coisa, não sei se existe no site novo.
É claro que nós, no dre.tretas.org, não temos recursos para prestar este tipo de serviços.
O site dre.pt tem uma página de contactos para dar feedback. Já alguma vez os contactaste no passado sobre estas questões?
Não, nunca o fiz. Em retrospectiva, talvez tenha sido um erro.
Quais seriam as mais valias para a sociedade se o dre.pt por exemplo facilitasse mais a indexação e partilha dos dados?
A partir do momento em que o acesso à informação é livre as potencialidades de uso são infindáveis.
Desde a simples resolução de dúvidas por parte do cidadão comum, à busca de informação por motivos profissionais, todos seriam beneficiados pelo livre acesso, com qualidade, à nossa legislação. Poupava-se tempo, eliminavam-se equívocos.
Depois, em termos de data mining da legislação há imenso trabalho que pode ser feito. Quem sabe o que se poderá revelar com este tipo de análises? Desde simples estatísticas a grafos da legislação, passando pelo cruzamento de informação com outras bases de dados, as possibilidades, como já disse, são infinitas.
Conhecendo o sistema e base de dados usado pelo dre.pt e tendo trabalhado no dre.tretas.org consegues estimar o custo de desenvolvimento (em horas) da adaptação da plataforma para permitir estas mais valias mencionadas?
Não posso fazer essa avaliação porque o que fiz no dre.tretas.org não tem o mesmo nível de exigência de um site institucional. Suponho que para um site deste tipo se tenha gasto bastante tempo em planeamento, concepção de testes, construção de mockups, reuniões infindáveis para estabelecer requisitos, etc. Tudo isso são custos difíceis para mim de quantificar.
O que posso dizer é que, para desenvolvimento do dre.tretas.org, não gastei, no total e até agora, mais de dois meses, talvez umas 200 horas. É claro que, no meu caso, limitei-me a fazer uma lista de objectivos, escolhi ferramentas "off-the-shelf" e usei um framework com que tenho bastante experiência.
Quais são os teus planos para o dre.tretas.org?
Tendo em conta a mudança no dre.pt, a minha preocupação é ter o site a actualizar a legislação o mais rápido possível. Dado impedimentos de ordem profissional não sei quando isso vai ser, mas vou-me esforçar para ser bem cedo.
Outros pontos no to-do list são:
- Interface para utilizadores móveis;
- API para acesso aos dados (a disponibilização dos metadados em JSON, que refiro mais acima, já faz parte desta ideia, falta definir os métodos para procura dos documentos);
- Melhorar o parsing dos documentos por forma a identificar os capítulos, secções, artigos, etc. Assim poderíamos fazer links para um artigo em concreto, isso seria útil em documentos grandes;
- Melhor anotação dos documentos. Se tivermos os documentos divididos por artigos, então podemos pensar em fazer as anotações por artigos;
- Melhorar a busca: penso que se pode melhorar muito a busca se incluirmos na ponderação da relevância dos resultados o número de ligações que temos para cada documento. Um documento que tenha muitas citações nos outros documentos deve ser importante. Também será interessante avaliar o inverso, isto é, o número de ligações que saem de um dado documento. Uma espécie de PageRank ( http://en.wikipedia.org/wiki/PageRank ) para a legislação!
Quem quiser participar no dre.tretas.org só tem de fazer o fork no github e apresentar-me os patches. Convém discutir, em primeiro lugar, a ideia comigo, e, claro, não vou aceitar patches com milhares de linhas... Fora isso estou disponível para ajudar, com as advertências normais acerca de falta de tempo. Costumo responder aos mails com velocidade razoável.
Também aceito ajuda em termos de melhoria da interface, código a funcionar é o ideal, mas mockups em HTML também servem. Enfim, não sou exigente...
Para projectos em geral sem nenhuma ordem em particular:
- Seguir sempre o principio KISS (Keep It Simple Stupid);
- Definir um conjunto de objectivos e não os alterar;
- Colocar o projecto no ar rapidamente - os projectos se não estão no ar, morrem muito depressa, tenho uma boa colecção de projectos por acabar. Um bocado de feedback funciona muito bem como incentivo;
- Um projecto destes tem dois momentos bem distintos, o momento em que o desenvolvimento é preponderante e um segundo momento em que a manutenção é preponderante (incluo a especificação e planeamento no desenvolvimento). O desenvolvimento é a parte que dá mais prazer a fazer. Não é agradável termos tarefas repetitivas, logo devemos automatizar o máximo possível - com o dre.tretas.org e outros projecto quase que não perco tempo com a respectiva manutenção.
7 de setembro de 2014
Portal da Democracia
O José Lima anda a procura de gente para ajudar a desenvolver o projecto Portal da Democracia. Mais informações sobre o projecto podem ser encontradas no próprio site, passo a citar:
Este Portal nasceu de forma espontânea inspirado pelo protesto popular do dia 12 de Março de 2011, que reuniu em todo o País cerca de 300mil pessoas nas ruas.
O Portal da Democracia é independente de qualquer partido político, associação ou movimento de cidadãos, mesmo dos organizadores da manifestação, e só obedece à vontade democraticamente expressa pelos seus membros validamente inscritos. O principal objectivo do Portal é contribuir para a criação de um documento que concretize a vontade de todos os cidadãos, que estando ou não presentes na manifestação acreditam num futuro diferente e melhor para Portugal, que passe por uma participação cívica mais activa, informada e esclarecida.
Para tal cada um pode deixar aqui as suas propostas ou conhecer as dos outros cidadãos. Decorrerá uma votação permanente de todas as propostas, assim como a sua discussão num fórum em estreita relação com o Facebook ou outras redes sociais. Da votação emergirá um documento de síntese com as propostas que reunirem maior consenso e que será actualizado periodicamente. Por fim, pretende-se que este documento sirva de corpo a futuras iniciativas legislativas efectivas, segundo as formas previstas na Lei.
Submissão de projectos para o Cidadania 2.0
Lembra-se que hoje é o ultimo dia para submissões de projectos ao Cidadania 2.0, no costume do bom Português certamente estão a deixar para a última hora submeterem as candidaturas. Dizem as fontes que o prazo para as submissões é fléxivel nesse sentido, portantos quando em dúvida é favor submeter. :)
Também dizem as fontes que as submissões não necessitam de ser projectos já em curso, podem ser ideias de. Podendo é participar.
Também dizem as fontes que as submissões não necessitam de ser projectos já em curso, podem ser ideias de. Podendo é participar.
O Porto vai receber, pela primeira vez, o “Cidadania 2.0” nos dias 26 e 27 de setembro, no Teatro Rivoli.
Este evento, na sua 4ª edição, dá a conhecer projetos que põem os cidadãos a falarem entre si e com as instituições públicas e ONGs, num exercício da cidadania em torno das mais variadas causas, sempre com as ferramentas sociais como suporte. O Cidadania 2.0 tem funcionado como uma montra daquilo que se consegue alcançar quando se colocam as redes e ferramentas sociais, os dados abertos e aplicações móveis ao serviço de uma sociedade mais ativa, dialogante e empenhada.
Por isso, se tem ou já pensou em criar uma plataforma online que promova o diálogo e a participação cívica, que tire partido de dados abertos e seja um exemplo de atuação em prol da sociedade, junte-se a nós e venha mostrá-lo publicamente no sábado. À sua espera estará uma sala de pessoas e entidades interessadas em contribuir, dar visibilidade e abraçar projetos como o seu.
O “Cidadania 2.0” é o ambiente privilegiado para conseguir parcerias, identificar oportunidades de financiamento, recolher ideias e contactos e conquistar embaixadores que podem fazer a diferença para o seu projeto.
Participe! Consulte as condições de candidatura e submeta o seu projeto até dia 7 de setembro utilizando o formulário disponível. Todos as propostas recebidas serão analisadas pela equipa organizadora do evento para garantir que satisfazem os requisitos.
22 de agosto de 2014
Entrevista a Jorge Leitão do publicos.pt
Trocamos uns emails com Jorge Leitão, responsável pelo projecto publicos.pt para saber um bocado mais sobre o projecto:
1) Obrigado por aceitares responder a algumas perguntas para publicar no opendata-pt. Podes falar-nos um bocado de ti? De onde és? Qual é o teu background académico e profissional?
Antes de mais, muito obrigado pelo convite para estar no opendata-pt. É um blog que sigo e que me mantém a par das coisas que se passam no opendata em Portugal.
Originalmente sou de Faro, no Algarve. Aos 18 anos decidi seguir física, e o meu percurso foi nesse sentido: tirei o curso na Universidade do Porto, e fiz o meu mestrado lá também. No último ano de mestrado tive a oportunidade de fazer a minha tese de mestrado no Max Planck Institute para a Física de sistemas complexos, em Dresden, Alemanha, onde me encontro a tirar o meu doutoramento.
Paralelamente a isso, sempre me interessei por programação, e o publicos.pt surge como um passatempo. A vantagem deste passatempo é que hoje faço física e web-development, e isso mantém-me um conjunto de portas abertas tanto no meio académico como no meio empresarial.
2) De onde surgiu o interesse por estes temas? open data, transparencia governamental, etc
Com o tempo fui-me apercebendo que dados governamentais têm um potencial por explorar:
3) Quando é que colocaste online a primeira versao do publicos.pt? Tens estatísticas de uso que possas partilhar connosco?
A primeira versão do públicos ficou online em Novembro de 2013. Hoje somos visitados diariamente por mais de 1000 pessoas, onde mais de 90% vêem de buscas google. Um factor relevante para nós é que durante o fim de semana este número é 3 vezes inferior, o que indica que as pessoas usam o publicos.pt como uma ferramenta de trabalho.
4) O projecto é open source, tens tido contribuições de outras pessoas?
A principal razão para ser open source é a reprodutibilidade: queremos garantir que a obtenção dos dados e as análises estão acessíveis a qualquer pessoa. Temos tido contribuições de pessoas ligadas à área de open data, como o Ricardo Lafuente e o Helder Guerreiro, que têm contribuído com várias sugestões e ideias. No entanto, o projeto ainda não chegou à massa crítica em que as pessoas contribuam código.
5) No website diz que os objectivos do publico.pt sao ajudar empresas e cidadãos a ter melhor acesso a informação pública, e ajudar cientistas e quem pensa na legislação a ter uma ferramenta para estudar os dados abertos portugueses. Sentes que o publicos.pt tem cumprido esses objectivos? Em que aspectos poderia ser melhor?
O nosso principal objetivo até agora tem sido posicionar-mo-nos num nicho de mercado: contratação pública. Neste sector, somos os únicos (em concorrência directa com o site oficial) a oferecer uma ferramenta para as empresas portuguesas consultarem a contratação pública portuguesa, inteiramente grátis. Ao mesmo tempo, mantemos uma forte componente cívica. Neste sentido, achamos que sim, temos cumprido o nosso objetivo ao oferecermos um produto que muitas pessoas usam diariamente.
Na perspectiva cívica, temos tido várias análises divulgadas pelo blog Má Despesa Pública, que tem sido quem mais divulga o publicos.pt. Temos também recebido feedback de algumas pessoas ligadas a ciências políticas, como o Pedro Magalhães, e tivemos também um artigo no blog oficial da comissão europeia para a informação pública.
Subjacente a vários dos problemas que temos, penso que neste momento a principal limitação é este ser um projecto executado por mim, e eu não estou em Portugal. Por exemplo, gostaria de poder ter apresentado o publicos.pt no cidadania 2.0, mas não vou poder lá ir. Falta-nos uma âncora em Portugal.
6) Qual é que achas ser o principal entrave ao uso destas plataformas? Falta de divulgação? Falta de interesse do publico em geral?
Na verdade, não acho que temos tido muitos entraves no uso da ferramenta, antes pelo contrário: estamos entre os 7.000 websites mais visitados em Portugal segundo o ranking Alexa a menos de 1 ano do lançamento, e com um orçamento anual de ~160€. Como termo de comparação, o dados.gov.pt, lançado à quase 3 anos e com um orçamento anual certamente superior ao nosso, não aparece no ranking Alexa nacional.
Acho que por vezes o entrave em alguns dos projectos deste género está na falta de um produto com valor para um dado público alvo. No caso do publicos.pt, sabíamos que se o nosso público fossem cidadãos curiosos na contratação pública portuguesa, teríamos um impacto muito limitado. Assim, o nosso objetivo foi criar uma ferramenta de trabalho para empresas, e complementar isso com uma forte componente cívica. E isto tem tido consequências interessantes: pessoas que usam o públicos como ferramenta de trabalho acabam por espreitar áreas mais cívicas a partilha-lhas nas redes sociais. Penso que esta é uma forma muito eficaz de explicar às pessoas a importância dos dados abertos.
7) Achas que fazia sentido este tipo de serviço publico ser mais apoiado pelo estado? Em que medidas é que seria possivel um maior apoio sem entrar em questões de controle?
Concordo que o estado deve ter formas de financiar este tipo de projetos, e acho que isso já acontece por diferentes mecanismos que garantem alguma independência, como o financiamento de fundações e organizações. Dito isto, acho que existem problemas no método de avaliação. O estado poderia ser mais cuidadoso na medida em que, na minha opinião, dá demasiado valor à imagem em detrimento de um bom return on investment. Nesse sentido, sim, acho este tipo de serviço público é cilindrado por organizações com maior investimento na imagem, mesmo quando isso não trás um serviço público melhor.
8) Em alguns paises existem secretariados de certos departamentos que se dedicam a estudar o estado da arte do que se faz noutros paises e sugerir legislação das boas práticas dos dados abertos no próprio país. Tens conhecimento de algo semelhante em Portugal?
Não. O que conheço mais próximo de estudo é a Transparência e integridade, que tem proposto medidas concretas de combate à corrupção e maior transparência. Na área de dados abertos, talvez o mais próximo que conheço seja a Agência para a Modernização Administrativa, mas não conheço nenhum relatório ou policy paper deles. Mas eu também não sou a melhor pessoa para responder a isso pois não conheço muito bem a comunidade de dados abertos em Portugal.
9) Qual é o teu roadmap para futuros desenvolvimentos do publicos.pt?
A curto prazo, temos planeado um mapa do país interativo, usando os dados abertos da direcção geral do território, para os utilizadores poderem selecionar contratos e entidades por região do país. Isto já está quase pronto e incluiu cruzármos informação de duas bases de dados públicas.
A médio prazo, temos planeado incorporar a bases de dados da lei portuguesa no nosso principal produto. Isto permite-nos entrar num segmento de mercado mais competitivo - a disponibilização da lei portuguesa - com uma abordagem diferente, mais focada no que as empresas procuram. Desenvolvemos recentemente uma aplicação open source, Django-SphinxQL, que esperamos ser-nos útil para recomendarmos leis a utilizadores que visitam a página de uma determinada entidade ou contrato.
1) Obrigado por aceitares responder a algumas perguntas para publicar no opendata-pt. Podes falar-nos um bocado de ti? De onde és? Qual é o teu background académico e profissional?
Antes de mais, muito obrigado pelo convite para estar no opendata-pt. É um blog que sigo e que me mantém a par das coisas que se passam no opendata em Portugal.
Originalmente sou de Faro, no Algarve. Aos 18 anos decidi seguir física, e o meu percurso foi nesse sentido: tirei o curso na Universidade do Porto, e fiz o meu mestrado lá também. No último ano de mestrado tive a oportunidade de fazer a minha tese de mestrado no Max Planck Institute para a Física de sistemas complexos, em Dresden, Alemanha, onde me encontro a tirar o meu doutoramento.
Paralelamente a isso, sempre me interessei por programação, e o publicos.pt surge como um passatempo. A vantagem deste passatempo é que hoje faço física e web-development, e isso mantém-me um conjunto de portas abertas tanto no meio académico como no meio empresarial.
2) De onde surgiu o interesse por estes temas? open data, transparencia governamental, etc
Com o tempo fui-me apercebendo que dados governamentais têm um potencial por explorar:
- Na componente cívica, parece-me um processo natural numa democracia do Séc. XXI o estado disponibilizar dados para serem escrutinados pelos cidadãos; algo que nunca antes foi possível com esta dimensão.
- Na componente científica, acho que há várias ideias que até hoje não tinham como serem testadas, e esta abertura de informação permite testá-las. Isto tem acontecido em diferentes ramos, e áreas como a da administração pública não são excepção.
- Na componente comercial, vejo que os dados abertos têm um enorme potencial, tanto ao nível de prestação de serviços, como ao nível de consultoria.
3) Quando é que colocaste online a primeira versao do publicos.pt? Tens estatísticas de uso que possas partilhar connosco?
A primeira versão do públicos ficou online em Novembro de 2013. Hoje somos visitados diariamente por mais de 1000 pessoas, onde mais de 90% vêem de buscas google. Um factor relevante para nós é que durante o fim de semana este número é 3 vezes inferior, o que indica que as pessoas usam o publicos.pt como uma ferramenta de trabalho.
4) O projecto é open source, tens tido contribuições de outras pessoas?
A principal razão para ser open source é a reprodutibilidade: queremos garantir que a obtenção dos dados e as análises estão acessíveis a qualquer pessoa. Temos tido contribuições de pessoas ligadas à área de open data, como o Ricardo Lafuente e o Helder Guerreiro, que têm contribuído com várias sugestões e ideias. No entanto, o projeto ainda não chegou à massa crítica em que as pessoas contribuam código.
5) No website diz que os objectivos do publico.pt sao ajudar empresas e cidadãos a ter melhor acesso a informação pública, e ajudar cientistas e quem pensa na legislação a ter uma ferramenta para estudar os dados abertos portugueses. Sentes que o publicos.pt tem cumprido esses objectivos? Em que aspectos poderia ser melhor?
O nosso principal objetivo até agora tem sido posicionar-mo-nos num nicho de mercado: contratação pública. Neste sector, somos os únicos (em concorrência directa com o site oficial) a oferecer uma ferramenta para as empresas portuguesas consultarem a contratação pública portuguesa, inteiramente grátis. Ao mesmo tempo, mantemos uma forte componente cívica. Neste sentido, achamos que sim, temos cumprido o nosso objetivo ao oferecermos um produto que muitas pessoas usam diariamente.
Na perspectiva cívica, temos tido várias análises divulgadas pelo blog Má Despesa Pública, que tem sido quem mais divulga o publicos.pt. Temos também recebido feedback de algumas pessoas ligadas a ciências políticas, como o Pedro Magalhães, e tivemos também um artigo no blog oficial da comissão europeia para a informação pública.
Subjacente a vários dos problemas que temos, penso que neste momento a principal limitação é este ser um projecto executado por mim, e eu não estou em Portugal. Por exemplo, gostaria de poder ter apresentado o publicos.pt no cidadania 2.0, mas não vou poder lá ir. Falta-nos uma âncora em Portugal.
6) Qual é que achas ser o principal entrave ao uso destas plataformas? Falta de divulgação? Falta de interesse do publico em geral?
Na verdade, não acho que temos tido muitos entraves no uso da ferramenta, antes pelo contrário: estamos entre os 7.000 websites mais visitados em Portugal segundo o ranking Alexa a menos de 1 ano do lançamento, e com um orçamento anual de ~160€. Como termo de comparação, o dados.gov.pt, lançado à quase 3 anos e com um orçamento anual certamente superior ao nosso, não aparece no ranking Alexa nacional.
Acho que por vezes o entrave em alguns dos projectos deste género está na falta de um produto com valor para um dado público alvo. No caso do publicos.pt, sabíamos que se o nosso público fossem cidadãos curiosos na contratação pública portuguesa, teríamos um impacto muito limitado. Assim, o nosso objetivo foi criar uma ferramenta de trabalho para empresas, e complementar isso com uma forte componente cívica. E isto tem tido consequências interessantes: pessoas que usam o públicos como ferramenta de trabalho acabam por espreitar áreas mais cívicas a partilha-lhas nas redes sociais. Penso que esta é uma forma muito eficaz de explicar às pessoas a importância dos dados abertos.
7) Achas que fazia sentido este tipo de serviço publico ser mais apoiado pelo estado? Em que medidas é que seria possivel um maior apoio sem entrar em questões de controle?
Concordo que o estado deve ter formas de financiar este tipo de projetos, e acho que isso já acontece por diferentes mecanismos que garantem alguma independência, como o financiamento de fundações e organizações. Dito isto, acho que existem problemas no método de avaliação. O estado poderia ser mais cuidadoso na medida em que, na minha opinião, dá demasiado valor à imagem em detrimento de um bom return on investment. Nesse sentido, sim, acho este tipo de serviço público é cilindrado por organizações com maior investimento na imagem, mesmo quando isso não trás um serviço público melhor.
8) Em alguns paises existem secretariados de certos departamentos que se dedicam a estudar o estado da arte do que se faz noutros paises e sugerir legislação das boas práticas dos dados abertos no próprio país. Tens conhecimento de algo semelhante em Portugal?
Não. O que conheço mais próximo de estudo é a Transparência e integridade, que tem proposto medidas concretas de combate à corrupção e maior transparência. Na área de dados abertos, talvez o mais próximo que conheço seja a Agência para a Modernização Administrativa, mas não conheço nenhum relatório ou policy paper deles. Mas eu também não sou a melhor pessoa para responder a isso pois não conheço muito bem a comunidade de dados abertos em Portugal.
9) Qual é o teu roadmap para futuros desenvolvimentos do publicos.pt?
A curto prazo, temos planeado um mapa do país interativo, usando os dados abertos da direcção geral do território, para os utilizadores poderem selecionar contratos e entidades por região do país. Isto já está quase pronto e incluiu cruzármos informação de duas bases de dados públicas.
A médio prazo, temos planeado incorporar a bases de dados da lei portuguesa no nosso principal produto. Isto permite-nos entrar num segmento de mercado mais competitivo - a disponibilização da lei portuguesa - com uma abordagem diferente, mais focada no que as empresas procuram. Desenvolvemos recentemente uma aplicação open source, Django-SphinxQL, que esperamos ser-nos útil para recomendarmos leis a utilizadores que visitam a página de uma determinada entidade ou contrato.
22 de julho de 2014
MapsCrime
O MapsCrime é um serviço pioneiro de partilha de informação criminal, que possibilita ao cidadão aceder e registar as ocorrências criminais de furto e roubo, e ainda, possíveis locais para reaver os objetos subtraídos.MapsCrime
Este serviço insere-se no âmbito da tese de mestrado da criminóloga Laura Jota, tendo como objetivo principal ajudar os utilizadores a prevenirem-se de qualquer tipo de assalto, o que trará a longo prazo, uma diminuição e controle da pequena criminalidade.
O MapsCrime partilha com a sociedade dados fundamentais para a autoproteção criminal de cada cidadão, devido às suas informações, o cidadão movimentar-se-á mais informado e de uma forma mais segura.
Para além disso, o MapsCrime também ajudará na divulgação dos objetos subtraídos (ex.: carros, carteiras, etc.), o que aumentará a probabilidade do seu proprietário o reencontrar.
7 de julho de 2014
11 de junho de 2014
CODE4PT / DCID
O Diogo Nunes criou o CODE4PT, com o objectivo de desenvolver código que ajude a vida à malta Portuguesa, o primeiro projecto que ele anda a desenvolver chama-se DCID, uma plataforma para ajudar no processo de decisão dos orçamentos participativos em Portugal. E está à procura na àrea de Lisboa de mais colaboradores ou gente interessada em levar para a frente a iniciativa.
Mais informações no website: http://www.diogonunes.com/work/code4pt/
15 de abril de 2014
Census Dados Abertos das Cidades de Portugal
Após alguma insistência conseguimos que a Open Knowledge Foundation criasse a página de census de dados abertos das cidades em Portugal, agora é só preencher. A malta do Transparência Hackday e Improve Coimbra já começou a recolher dados do Porto e Coimbra. Podendo é ajudar.
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